Manuela D’Ávila: feminismo não é o contrário do machismo, mas da solidão feminina

Manuela fez uma ótima reflexão em sua página oficial no Facebook neste Dia Internacional da Mulher. Vale ler:

Por Manuela D’Ávila no Facebook reproduzido por Diário do Centro do Mundo

Eu não era feminista.

Eu acreditava que isso era assunto do passado, da geração de minha mãe, que largou a faculdade para casar, que “desquitou” para voltar a estudar, que aguentou dedos na cara e o desemprego e desamparo por criar sozinha as filhas.

Eu já era militante, sou militante desde os 17, eu já acreditava que o mundo era desigual, que precisávamos lutar por justiça social e, mesmo assim, eu não era feminista.

Mas a vida – e suas permanentes portas abertas a quem aceita mudar e se mudar – fez com que eu percebesse que a desigualdade econômica e social no Brasil atinge de forma muito mais cruel às mulheres.

A vida fez com eu tomasse consciência que aquilo que eu e outras mulheres vivemos não era algo que acontecia com uma de nós, mas com todas nós. Tomei consciência que não era só comigo. Não era só com ela, mas que É com todas.

Uma de nós ser assediada a cada dois segundos, tem nome.
Sermos responsabilizadas pela violência que sofremos, tem nome.
Receber menos salário pelo mesmo trabalho, tem nome.
Estabelecerem padrões físicos doloridos e inalcançáveis para nós, tem nome.
Sofrer violência física, ser assasinada e ouvir que o amor pode matar, tem nome.
Parir e ficar desempregada, tem nome.
Ser invisível na política, tem nome.

A ideia que somos inferiores, menos livres, menos donas de nossos corpos e mentes, menos merecedoras de direitos tem nome. O nome disso é machismo.

E o feminismo não é o contrário do machismo e sua compreensão que as mulheres são inferiores.

Nossa radicalidade esta justo em lutar pela equidade, pelos direitos iguais, pelo nosso direito à vida sem violência, pelo direito à sermos donas de nossos corpos e mentes.

Somos radicais que acreditamos ser iguais aos homens.

Por isso, me emocionei muito ao me deparar com essa frase no livro novo de Márcia Tiburi. Porque o feminismo é o contrário da solidão. Porque quando tomamos consciência que o assédio acontece a todas, percebemos que não estamos sozinhas. Quando percebemos que o medo do desemprego ao engravidar e o desemprego com filhos acontece com todas, não estamos sozinhas. Quando percebemos que o medo de estar na rua não é só nosso, não estamos sozinhas. Quando pensamos que milhares de mulheres têm medo de ficar na própria casa porque é ali que a violência acontece, não estamos sozinhas. Quando recebemos o salário inferior, não estamos sozinhas. Quando percebemos que esse personagem de super heroína “mãe, dona de casa, que trabalha fora e da conta de tudo” é uma forma de deixar bonita a nossa jornada tripla de trabalho, não estamos sozinhas.

Não estamos sozinhas na opressão, na vivência cotidiana do machismo. Não precisamos estar sozinhas no enfrentamento radical a ele.

O feminismo nos faz ver que todas somos submetidas ao machismo e que apenas juntas teremos forças para enfrentá-lo.

O feminismo é o contrário da solidão porque ele nos une, une nossa rebeldia contra as injustiças, nos faz solidárias umas com as outras, nos faz irmãs na luta por nossos direitos e pelos direitos de nossas irmãs.

Não estamos sozinhas. Somos muitas.

Rebele-se contra o machismo!

 

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