A “pane seca” do golpe neoliberal

O governo Temer é o exemplo acabado de como se pode utilizar o Estado para garantir os privilégios e eliminar direitos.

Por Paulo Teixeira e Guilherme Melo em Carta Capital.

greve do transporte de carga no Brasil, que levou ao desabastecimento de combustível e alimentos em todo País, pode ser a pá de cal na estratégia neoliberal adotada pelo governo golpista.

É crescente a percepção de que o neoliberalismo novamente fracassou, piorando substancialmente a qualidade de vida e retirando a esperança no futuro da maior parte da população.

Depois de provocar o “apagão” energético nos anos 2000, a ideologia neoliberal aplicada à gestão pública agora promove a “pane seca”, gerando um cenário que beira o caos social.

Incapaz que é de retomar o crescimento, a geração de empregos e promover a distribuição de renda, a política econômica do governo Temer é o exemplo mais acabado de como se pode utilizar o Estado para garantir os privilégios e eliminar direitos.

De um lado, os bancos batem recorde de lucratividade, os investidores estrangeiros compram nossas empresas a preço de banana e os acionista da Petrobras (muitos deles estrangeiros) ficam felizes com o aumento de preço das ações da empresa.

De outro, o povo trabalhador amarga taxas recordes de desemprego, de desalento, a deterioração crescente dos serviços públicos, a extinção de seus direitos trabalhistas, a ameaça do fim de sua aposentadoria, uma onda de violência que se espalhou pelo País e, mais recentemente, o aumento descontrolado do preço dos combustíveis e do gás de cozinha.

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Os reajustes constantes não fazem sentido

Apesar de parte da mídia querer convencer o povo de que o aumento no preço dos combustíveis se deve aos impostos, a verdade é que os impostos sobre o combustível, que são de fato relevantes, não explicam o crescimento rápido dos preços nos últimos meses, até por que não foram elevados no período.

O que explica a inflação dos combustíveis é a política de preços da Petrobrás, adotada pelo tucano Pedro Parente, que vincula o preço do gás, diesel e gasolina à variação do preço do petróleo no mundo e as variações na taxa de câmbio.

Ou seja, em vez de usar o poder de mercado da Petrobrás para estabilizar o preço desse insumo produtivo básico, contribuindo para a previsibilidade e estabilidade, criou-se uma regra onde os preços domésticos seguem as variações diárias dos preços internacionais do petróleo, definidos em um mercado altamente oligopolizado e que não corresponde em nada a estrutura de custos da empresa brasileira.

Para piorar, como o preço do petróleo é cotado em dólar, fazendo com que variações na taxa de câmbio também passam a impactar diariamente o preço dos combustíveis, nos tornando muito mais suscetíveis a choques internacionais.

O resultado dessa estratégia é a perda de poder de mercado da Petrobras no mercado doméstico, uma vez que ela passa a sofrer a concorrência de produtos importados que se aproveitam dos altos preços para entrar em nosso mercado.

A escolha desastrada por uma política de preços altamente volátil segue a mesma lógica de todo o governo golpista: garantir a lucratividade para os investidores financeiros, enquanto os trabalhadores e empresários produtivos pagam a conta da ideologia neoliberal.

Não há a mínima preocupação com o desenvolvimento nacional, muito menos com a distribuição de renda e geração de empregos, temas que ficam relegados como meras consequências esperadas do aumento da rentabilidade do capital.

É imperativo que se mude rapidamente a política de preços da Petrobras por uma que busque conter o efeito dos choques de curto prazo, com uma regra de reajuste que se ajuste à tendência dos preços e não ao ciclo, muito menos a volatilidade dentro do ciclo.

Ou seja, o Brasil precisa recuperar a importância da Petrobrás de forma estratégica, minimizando os choques (para cima e para baixo) de variáveis voláteis e definidas em mercados totalmente imperfeitos, como o de câmbio e petróleo.

Da mesma forma que não faz sentido segurar preços de forma indefinida, ignorando a tendência de preços do petróleo internacional por muito tempo, é um grave erro trazer toda a instabilidade de fora para os preços domésticos, pois temos total capacidade de estabilizar essa variável-chave dos custos produtivos.

A Petrobras precisa voltar a contribuir para o desenvolvimento brasileiro, não apenas encher o bolso de seus acionistas.

Paulo Teixeira é deputado federal pelo PT-SP e mestre em Direito pela USP. Guilherme Melo é economista e professor da Unicamp

3 comentários em “A “pane seca” do golpe neoliberal

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  1. Minhas lindas… pessoas 😉

    Só uma pequena questão antes de soltar a verborreia! Vocês aí nessa ex-colónia, de sabemos lá quantos “impérios”, podem recorrer livremente e gratuitamente à prática designada pela palavra “eutanásia”?

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    1. Primeiramente, consideramos que nunca deixamos de ser colônia, porém nos tempos mais recentes, não mais de Portugal… Não, não podemos realizar eutanásia nem pagando um bom preço.

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      1. Olá!

        Pronto… visto que o ÚNICO E REAL DIREITO que um animal umano tem nesta actual civilização umana foi-lhe retirado, leia-se matar-se de forma tranquila e sem stress, a minha sugestão para resolução de alguns problemas da FOSSA BRASILIS já não tem razão de ser!

        Contudo não posso deixar de referir a absoluta incongruência que é ler este texto escrito por um salafrário político*.

        A seguinte verborreia “… utilizar o Estado para garantir os privilégios e eliminar direitos.” é uma das marcas dos salafrários que passam o tempo nos aparelhos da entidade SALAFRÁRIA SUPREMA que é o tal do “ESTADO”!

        Divertido nisto tudo é que o salafrário político ou se anda a fazer de desentendido – o mais provável – ou então é tão asno que nem para salafrário político serve, pois ao debitar, como que em forma de surpresa “De um lado, os bancos batem recorde de lucratividade, os investidores estrangeiros compram nossas empresas a preço de banana e os acionista da Petrobras (muitos deles estrangeiros) ficam felizes com o aumento de preço das ações da empresa.“, revela que desconhece as REGRAS ACTUAIS do SISTEMA MONETÁRIO.

        Nem volto a colocar aqui a ligação para o esquema sobre a ORGANIZAÇÃO da civilização actual, pois é desperdício de tempo!

        No final de tudo a REALIDADE que fere a visão e quase que remove os olhos das suas cavidades é que a MANADA DE ESCRAVOS não quer MUDAR.

        😎

        *aliás o tipo é salafrário elevado ao quadrado. É “licenciado” em “DIREITO” e POLÍTICO! Cruzes canhoto!

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